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Parlamento acuado? Não sejamos ingênuos.

Parlamento acuado? Não sejamos ingênuos.

Vamos aos fatos: o governo descumpriu um acordo firmado – por Onyx Lorenzoni – com o Parlamento, especificamente com partidos do Centrão, aquele por meio do qual se reestruturaria, no bojo da MP 870, o Ministério do Desenvolvimento Regional, fazendo retornarem as pastas da Integração Nacional e das Cidades. Havia um pacto político – legítimo – para que assim fosse; o que, claro, contemplaria interesses partidários (legítimos, insisto).

Ocorre que, imediatamente após esse pacto ser firmado, o bolsonarismo – com o aval do presidente – passou a dinamitá-lo, tratando-o como obra de chantagem do Parlamento contra o governo; prática miliciana bolsonarista típica, conforme sempre apontado neste blogue: puxando a corda após afrouxá-la com diálogo, tensiona o fio novamente, trai o combinado e se faz de vítima do establishment maldito. É o padrão. Um padrão que ensina: com essa gente sem palavra não se negocia.

Que não se creia, portanto, na ingenuidade segundo a qual o Centrão teria voltado atrás em seu acusado achaque com medo da pressão popular projetada para o dia 26. Que tampouco se acredite que seja por essa razão – por receio do levante popular – que o Congresso votará, nesta semana, as MPs pendentes, inclusive a 870.

A rigor, na prática, com isso – e tendo como gancho o acordo criminalizado descumprido pelo Planalto – o Parlamento outra coisa não faz do que tirar o governo da frente e se desvincular das pautas associadas a Bolsonaro, limpando o caminho e acelerando a óbvia pretensão de tocar uma agenda própria, essencialmente econômica, e dar forma ao que tenho chamado de Parlamentarismo Informal, costurado tacitamente com o que nomeei “governo Guedes”.

Sob essa lógica, o estímulo oficial – por agentes do governo e pelo próprio presidente – às manifestações chapa-branca hostis ao Congresso é um presente à independência do Legislativo.