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O primeiro mês do Vampeta na Europa

O primeiro mês do Vampeta na Europa

Cheguei na Holanda em uma época que o jogador precisava passar pelo Corinthians, Flamengo, São Paulo, Vasco, Palmeiras, Botafogo, Fluminense ou Santos, para só depois poder jogar na Europa. Só que comigo foi diferente: fui direto do Vitória para o PSV.

Na Bahia, morava no alojamento do clube e para treinar botava uma bermuda, tênis e uma camiseta por causa do calor. Na Holanda, país de primeiro mundo, tudo era diferente. Os jogadores iam treinar de terno e gravata.

Fui aprendendo holandês. À noite no hotel, queria jantar, apontava no cardápio e vinha o que eu comi no almoço. Era muito burro, não sabia nem falar inglês! Não marcava o que pedia e no dia seguinte acabava repetindo o mesmo prato ruim.

Um padre me ensinava o idioma e eu perguntava pra ele como fazia para pedir um frango, uma carne. Pedia para deixar um papel comigo com as ‘palavras mágicas’, mas aquele senhor de setenta e poucos anos sempre esquecia. Chegava no hotel, eu desenhava um frango e o garçom dava risada da minha cara. Perdi a paciência e decidi comer pizza, pois pizza é igual no mundo todo.

Fiquei quase um mês comendo pizza, até falar holandês e morar num apartamento. A gente também ia para um restaurante italiano que o Romário frequentava muito, porque a primeira coisa que se faz quando se muda assim é procurar uma língua latina, para se sentir seguro.